Junta de Freguesia de Cacilhas

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Património

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PATRIMÓNIO

Sítios Arqueológicos

A freguesia de Cacilhas integra no seu território dois sítios arqueológicos de grande importância para o conhecimento da ocupação humana da região: a Quinta do Almaraz e a Fábrica Romana de preparados de peixe.

ALMARAZ

A Quinta do Almaraz situa-se no topo da arriba e beneficia de uma posição estratégica privilegiada, a partir da qual se abarca um ângulo de visão de quase 360º, alcançando a margem Norte e o estuário do Tejo, as serras de São Luís e da Arrábida. Neste local foram identificados vestígios arqueológicos que atestam uma ocupação do espaço desde o Neolítico Final (3,4 mil anos aC) até ao período romano (século II). No entanto, o período mais significativo corresponde à Idade do Ferro (800 aC) tendo revelado estruturas de um povoado fortificado, grande variedade de espólio cerâmico importado da bacia do Mediterrâneo e também vestígios de actividade metalúrgica associada ao ferro e, eventualmente, ao ouro recolhido nas praias da margem Sul do Tejo. O espaço onde foram identificadas as estruturas arqueológicas é de propriedade municipal e prevê-se a sua musealização, no âmbito do Estudo de Enquadramento Estratégico da Quinta do Almaraz.

CETÁRIAS ROMANAS

No Largo de Cacilhas foram igualmente identificados vestígios de ocupação da Idade do Bronze, presentes na estrutura de um cais de pedra aparelhada, na base do qual foram encontradas cerâmicas de influência fenícia, semelhantes às descobertas na Quinta do Almaraz. Na mesma área e em estreita ligação com a frente ribeirinha foram também identificadas estruturas de uma fábrica romana de preparados de peixe, que terá laborado entre os séculos I e III. Os tanques (cetárias) utilizados nos variados processos de transformação do pescado, foram posteriormente abandonados e reutilizados como lixeira e abrigo durante a Idade Média e até ao século XVIII, conforme se constata pelo diverso espólio de diferentes épocas encontrado no interior. O entulho aí depositado revelou fragmentos de cerâmica árabe pintada e moedas de D. Afonso V a D. João III.

As estruturas arqueológicas estão classificadas como imóvel de interesse público encontrando-se actualmente cobertas com calçada, prevendo-se a sua muselização no âmbito da reabilitação desta zona da cidade.

PATRIMÓNIO CONSTRUÍDO

FORTE DE SANTA LUZIA

Sendo o porto de Cacilhas um importante entreposto e ponto de passagem entre as duas margens do Tejo, a sua defesa era assegurada pelo Forte de Santa Luzia, cujo edifício ainda hoje se pode reconhecer no posto da brigada fiscal da Guarda Nacional Republicana, cujo portal é encimado por uma pedra com as armas nacionais. Desconhece-se a data da sua edificação original, sabendo-se que foi objecto de obras durante o século XVII (reinado de D. Pedro II). Em finais do século XIX foi demolida a esplanada de artilharia, que segundo o Padre Luís Cardoso em 1751 possuía oito peças de artilharia.

IGREJA DE NOSSA SENHORA DO BOM SUCESSO

Construída de raiz quatro anos após o terramoto de 1755, este templo apresenta uma fachada de inspiração barroca, com um fronyão triangular ladeado por torres sineiras, que apresentam cúpulas encimadas por pequenos zimbórios. Nas paredes de uma das torres podem também observar-se dois relógios de sol, um na fachada frontal e outro na lateral. O interior é composto pela galilé, coro alto, uma única nave e capela-mor. As paredes tê silhares de azulejos azuis e brancos da segunda metade do século XVIII, com cenas alusivas à vida de Nossa Senhora. Existem ainda três retábulos em madeira policroma de estilo rococó, um dos quais com a imagem de Santa Luzia, datada do século XVII.

MOINHO DE CACILHAS

Situado no morro de Cacilhas e integrado no parque de estacionamento, encontra-se a estrutura de um antigo moinho de vento, o qual até à década de noventa do século XX se encontrava em ruínas. A estrutura das paredes e cobertura foram então reconstruídas sem integrar qualquer engenho de moagem. O moinho, do qual se desconhece a data de construção, situa-se no extremo norte do concelho de Almada e utilizava apenas um par de mós, tirando partido dos ventos predominantes de Noroeste. A existência desta estrutura de moagem atesta a produção de cereais e o passado rural da zona, associada a solos férteis.

CHAFARIZ DE CACILHAS

Chafariz inaugurado em 1 de Novembro de 1874. Um importante melhoramento que a Câmara Municipal sob a presidência de Bernardo F. da Costa, prestou ao povo de Cacilhas. Implantado à entrada da antiga rua Direita (actual rua Cândido dos Reis) e junto ao largo Costa Pinto (actual largo Alfredo Dinis-Alex), os moradores abasteciam-se de água potável para os lares. O chafariz (infelizmente destruído nos finais dos anos 40 ou início de 50) era abastecido pela mina do Ginjal, por intermédio de canalizações. Quando estas canalizações começaram a envelhecer e a degradarem-se, a água, que era de muito boa qualidade, passou a ser salobra por infiltrações das águas do Tejo. Então, a população de cacilhenses, só a utilizava para lavagens. A boa, para beber, continuava a vir da mesma origem (do Ginjal) mas fornecida em barris, por aguadeiros. Até que veio a canalização domiciliária. Deve-se este melhoramento ao presidente da Câmara Municipal de Almada, Luís Teotónio Pereira.

 

 FAROL DE CACILHAS

O Farol inaugurado em 1886, inicialmente com luz branca, que depois foi verde, tinha um relampejar com intervalos de 5 segundos, movido por um sistema de relojoaria. Uma presença imprescindível para a população de Cacilhas que lhe ganhou cariho e amizade. Prático no seu buzinar nas noites e dias de nevoeiro, o Farol constituía um excelente guia para a navegação que subia e atravessava o Tejo e que servia para sinalizar o Pontaleto.

Actualizado em Quinta, 25 Março 2010 12:30